Viper - instituição do metal nacional
O Viper é uma banda paulistana formada em 1985 pelos irmãos Pit e Yves Passarell. Na formação original, contavam com um tal de André Matos no vocal...um moleque de 14 anos que foi aceito na banda por causa de seu visual 'Bruce Dickinson'.
O primeiro álbum, Soldiers of Sunrise, veio em 1987. Embora não houvesse nada ali de original, e a produção fosse ligeiramente tosca, repleta de clichês, seja nos arranjos, seja nas letras, algumas canções ficaram eternizadas exatamente por isso. Beiravam a inocência mas a coragem juvenil dos integrantes de tentarem ser iguais a gigantes como Iron Maiden ou Helloween, influências latentes nesse trabalho, tornaram canções como Wings of the Evil em uma espécie de hino.
Porém, dois anos depois, muita coisa mudou. Em 1989 saía Theatre of Fate, este um trabalho de gente grande, original e bem produzido. Nesse álbum pode-se dizer que já nascia o embrião da fórmula que deu origem ao Angra: metal+doses generosas de música clássica e algumas passagens grandiosas. Talvez At Least a Chance seja o maior exemplo disso.
Apesar do estrondoso sucesso do álbum, André Matos decide sair da banda. Havia divergências sobre o direcionamento musical a ser seguido. Os irmãos Passarell queriam fazer um som mais cru, voltando às origens do heavy metal, enquanto André queria continuar com as incursões pela música clássica iniciadas em Theatre of Fate. O resultado todos já sabem, André sai e se junta a Kiko Loureiro e Rafael Bittencourt para formar o Angra. Mas e o Viper? O que houve com a banda depois da saída do André?
Bem, o Viper, de fato, começou a praticar um metal mais cru, sem 'frescuras'. Evolution, lançado em 1992 já apontava fortemente nessa direção, sem passagens clássicas e flertando com o punk, seja na simplicidade das composições, seja nas letras, seja no vocal de Pit Passarell, muito mais rasgado do que os agudos e falsetes elaborados do André. A decisão parecia acertada, afinal, o início da década de 1990 viu surgir o grunge, movimento que virou a indústria fonográfica de cabeça para baixo. Rebel Maniac (vídeo abaixo) é um som meio que definidor desse período. Rápido, direto, sem rodeios, 'na cara'!!!
No ano seguinte, em 1993, a banda lança um álbum ao vivo no Japão. Com produção razoável (ouve-se mais bateria e voz do que o resto dos instrumentos), esse foi o primeiro disco do Viper a ser lançado em cd, e por isso, alavancou muito a banda na época no Brasil. Foi com esse disco que eu e muita gente boa (ou não) conheceu o som dos caras. O disco é baseado nas canções do Evolution e também do Theatre of Fate, cujas canções ficaram muito interessantes na voz de Passarell. A dificílima missão de agradar os fãs acostumados com o registro altíssimo de André Matos foi cumprida com muita competência. Apesar de ter perdido o talento ímpar do André, a banda estava no seu auge. O álbum traz toda a energia da banda ao vivo e uma novidade muito bem vinda, um cover do Tim Maia.
O álbum seguinte foi Coma Rage, lançado em 1994. A linha de crudeza era a mesma de Evolution, porém apenas a faixa título emplacou. Para mim a melhor faixa é a última, Keep the Words, que, infelizmente, não tocou na Mtv na época.
Em 1996 veio Tem para Todo Mundo (1996) e, infelizmente, a banda já não consegue manter o mesmo nível de 'pegada', apesar de conter boas canções. Na minha opinião, a banda tinha amadurecido, como mostra o vídeo de 8 de Abril, e isso é a pior coisa que pode acontecer com uma banda de rock (risos). A Mtv, no entanto, ainda dava uma força para a banda continuar, que resolveu cantar a maioria das músicas desse álbum em português. Hoje talvez tivesse sido uma decisão acertada mas, na época, acho que não deu muito certo deixar o inglês de lado.
Após um intervalo de mais de dez anos, inclusive com a saída de Yves Passarell (o cara foi pro Capital Inicial) a banda tenta voltar ao clima de Theater of Fate, com All My Life, álbum lançado em 2007 e com Ricardo Bocci nos vocais, que lembrava muito o registro de André Matos na década de oitenta.
Em 2013 André Matos retorna ao Viper e realizam uma turnê (apenas uma) comemorativa. Abaixo os caras executando o hino Living for the Night, do álbum Theatre of Fate.
Os caras são demais e têm muita história pra contar. Verdadeiras instituições do metal nacional!
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